Inquérito sobre suposta interferência na PF terá depoimentos nesta semana

Chefe de gabinete de Flávio deve depor, e Bolsonaro participa de ato Empresário apoiador do presidente Jair Bolsonaro na campanha em 2018 também foi convocado para depor em inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

O presidente Jair Bolsonaro em manifestação, no último domingo (24)Foto: PR
Dois dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello ter divulgado vídeo de reunião ministerial no qual é alvo de investigação, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou, ontem (24), de uma manifestação pró-governo, em meio à pandemia da Covid-19. Enquanto isso, estão previstos nos próximos dias novos depoimentos no inquérito no STF sobre suposta interferência de Bolsonaro em investigações da Polícia Federal (PF).
A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), vai prestar depoimento nesta semana o empresário Paulo Marinho, pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo publicada no último dia 16, Marinho disse que a Operação Furna da Onça - que revelou suspeitas sobre um ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e acabou envolvendo o filho do presidente num esquema de "rachadinha" de salários - foi adiada em 2018 para não prejudicar a eleição de Jair Bolsonaro.
Afirmou também que a investigação foi vazada a Flávio por um delegado antes de ser deflagrada. A partir do depoimento, a PGR vai avaliar se o caso tem conexão com as denúncias feitas por Moro e se, por esse motivo, deve ser investigado no mesmo inquérito aberto no STF.
A PF também convocou para depor nos próximos dias o chefe de gabinete do senador Flávio Bolsonaro, Miguel Ângelo Braga Grillo, sobre as acusações de Marinho.
Vídeo
O teor do vídeo da reunião ministerial e os depoimentos em curso são decisivos para a PGR concluir se irá denunciar o presidente da República por corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal.
Ministros de Estado, delegados e uma deputada federal já prestaram depoimento no inquérito que investiga a veracidade das acusações do ex-juiz da Operação Lava Jato contra o chefe do Executivo.
O objetivo é descobrir se as acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública contra Bolsonaro são verdadeiras ou, então, se o ex-juiz da Lava Jato pode ter cometido crimes caso tenha mentido. Na visão de Aras, oito delitos podem ter sido cometidos.
Após apuração da PF, a PGR avalia se haverá acusação contra Bolsonaro. Caso isso ocorra, esse pedido vai para a Câmara, que precisa autorizar sua continuidade, com voto de dois terços.
Manifestação
Pressionado pelo inquérito sobre a suposta interferência no comando da Polícia Federal, que a oposição no Congresso trata como uma possível munição para justificar um pedido de seu afastamento do cargo, Bolsonaro saiu às ruas, ontem, em Brasília, e voltou a provocar aglomeração, contrariando orientações dos organismos de saúde de combate à Covid-19.
Os manifestantes portavam faixas contra Congresso, Judiciário e imprensa. Cercado de seguranças, de ministros e parlamentares, Bolsonaro evitou tocar os manifestantes, mas ficou a poucos centímetros das pessoas aglomeradas. Em dois momentos, sem máscara, carregou crianças no colo.
Novos depoimentos estão marcados no inquérito no STF que investiga suposta interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. No último domingo (24), ele participou de ato a favor do Governo
Abuso de autoridade
Após a divulgação da reunião ministerial, Bolsonaro publicou ontem (24) um trecho da lei de abuso de autoridade, no que foi entendido como um ataque ao STF. A postagem traz uma foto de um artigo da lei 13.869, de 2019. "Art. 28 Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investiga ou acusado: pena - detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos".

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