'Escritório do crime' Série de assassinatos de mulheres no Cariri completa 20 anos e alguns dos casos até hoje não foram julgados

     Sete mulheres foram vitimas de uma série de homicídio ocorrido a 20 anos no Cariri

Em 04/06/2021 
Mulheres do Cariri, no Ceará, representantes de diversas entidades e dos conselhos feministas, relembraram, neste último mês de maio, o assassinato de sete mulheres na região. As investigações da Polícia Civil apontaram que todas as vítimas foram violentadas e, em seguida, assassinadas.

Thelma, Ana Amélia, Vanesca, Eliane, Edilene, Alessandra e Aparecida foram as vítimas dos crimes que aconteceram entre maio de 2001 e março de 2002, nos municípios de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Missão Velha, Brejo Santo e Araripe. Alguns dos homicídios seriam queima de arquivo, já que as vítimas sabiam da existência do “Escritório do Crime”.

O ex-bancário e comerciante de automóveis em Juazeiro do Norte, Sérgio Brasil Rolim, é acusado como o principal mentor da organização criminosa que agia na Região do Cariri. Segundo o Tribunal de Justiça, Sérgio Rolim foi condenado a 118 anos de prisão por homicídios e estupros. Ele cumpre a pena em regime fechado. Apesar de todo o trabalho da polícia, do Ministério Público e da Justiça, há crimes que continuam sem desfecho e mortes que ainda não foram julgadas.

Motivos passionais e queima de arquivo

Sobre a motivação dos crimes, de acordo com o delegado da Polícia Civil do Crato, Marcos Antônio dos Santos, duas vítimas foram mortas por motivos passionais. Outras três por queima de arquivo, por terem algum envolvimento com integrantes da organização criminosa.

“As duas primeiras vítimas que nós identificamos em Juazeiro do Norte eram casos separados. Detectamos que era motivo mais passional. Um dos envolvidos, o mentor, mandante, tinha um caso amoroso com a vítima. As outras, no Crato, Barbalha e Missão Velha, elas participaram desse escritório no sentido de quando eles [criminosos] praticavam os crimes eles iam para bares e restaurantes e elas participavam dessa comemoração”.

Através do relato de uma testemunha que conseguiu escapar da morte, a Polícia Civil chegou a um nome que já tinha aparecido na investigação: Sérgio Brasil Rolim. A partir daí, os assassinatos de mulheres que aconteciam em diferentes lugares da região começaram a ser associados.

Série de assassinatos de mulheres no Cariri completa 20 anos e alguns dos casos até hoje não foram julgados Sérgio Rolim em julgamento pela participação nas mortes de vítimas do grupo criminoso (Reprodução/TV Verdes Mares)[/caption]

Queimada ainda com vida

O delegado Marcos Antônio, que na época trabalhava em Juazeiro do Norte, recorda como foi chocante iniciar as investigações do caso. Segundo ele, em um dos casos, o laudo cadavérico final concluiu que a vítima foi assassinada ainda com vida.

“Na época não tinha IML em Juazeiro do Norte e enviamos o corpo para Fortaleza. Aprofundar as investigações no corpo. E o laudo mostrou que a pessoa que foi encaminhada tinha sido morta [queimada] ainda viva. Queimaram ela com vida”, afirmou.

Ainda de acordo com o delegado, com o andamento das investigações, descobriu-se que o grupo era uma organização criminosa que atuava em vários crimes.

"Sérgio Brasil Rolim participava dos assassinatos. Começamos a investigar como ele agia, o que ele trabalhava na época. Então chegamos até os comparsas que praticavam crimes como assaltos, assassinatos, roubos de cargas".

"Era uma organização criminosa sim. Só que nossa investigação participou mais em investigar os homicídios contra as mulheres. Mas, com isso, essa investigação descobriu um leque de crimes. Outros crimes", coloca o delegado.

Mulheres incendiadas e corpos mutilados

A professora e vice-presidente do Conselho da Mulher Cratense, Mara Guedes, afirmou que a morte das mulheres representa até hoje uma marca cruel da violência de gênero da Região do Cariri. Mara Guedes lembra da crueldade de como as vítimas foram executadas.

“A crueldade era quase tudo igual. Mesma característica. Tirando parte do corpo e incendiando. Essas mulheres na verdade representam a marca presente cruel da violência aqui no Cariri. Mulheres vítimas do machismo e da violência contra a mulher”.

Mara Guedes também relata como era formado o "Escritório do Crime". Segundo ela, cada membro era responsável por praticar um tipo de crime diferente. Desde a morte de mulheres, como tráfico de drogas e desmanches de carros.

“Esse escritório tinha os matadores de mulheres. Eram organizados neste sentido.Tinha os que desmanchavam carros, os traficantes, dentre outros”, detalhou.

Passados 20 anos dos assassinados, Mara Guedes afirma que o julgamento de um suspeito de participar da morte de duas mulheres ainda não foi realizado. De acordo com ela, ambas mortas pelo "Escritório do Crime", e responsável pelas mortes de outras mulheres.

“Depois de 20 anos nós temos duas meninas que foram assassinadas também pelo escritório do crime. E o julgamento não aconteceu ainda. Sabem que é, mas não houve julgamento. Sei que o mentor [Sérgio Brasil Rolim] foi julgado pelos seus crimes e ele pegou uns 96 anos de prisão”.

Segundo as investigações, Sérgio Rolim, não agia sozinho. Em depoimento, apontou pelo menos 30 pessoas integrando o escritório do crime. Além de mortes encomendadas, a maioria de mulheres, o grupo praticava assaltos e roubos de carga.

Situação dos acusados

O advogado de Sérgio Rolim informa que acompanha somente os recursos dos crimes de Maria Aparecida Pereira e de Vanesca Maria da Silva e ele nega a autoria dos crimes. Sobre as condenações, ele tenta a progressão das penas.

Já sobre os assassinatos de Luisa Alessandra e Maria Eliane Gonçalves, o Tribunal de Justiça do Ceará informa que o processo está em julgamento na 1ª Vara Criminal de Juazeiro do Norte. Um dos réus morreu durante o processo. Para outros dois acusados, o crime prescreveu em 2015 por terem mais de 70 anos.

O réu Damião Laurentino de Sousa deve ser submetido a Juri quando houver uma segurança sanitária por causa da pandemia.

Fonte: G1 CE
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Cícero Ferreira Lima, filho de Raimundo Nonato e Telma Ferreira, nasceu no dia 06 de Julho de 1970. E casado com Vanusa Alcântara e pai de Bruno Ferreira, músico profissional e acadêmico de odontologia. Cicero foi criado na região central da cidade, pois sua mãe, era dona de um restaurante no Mercado Central, onde trabalhava diariamente a onde acolhia os filhos quando voltavam da escola. Cícero, desde criança, gostava do Mercado onde fazia suas piruetas, mas por ser muito curioso, aproveitava a maior parte do tempo observando e até manuseando os novos aparelhos eletrônicos que apareciam, trazidas por camelôs ou pelas lojas de eletrodoméstico. Iniciou no ramo ligado a tecnologia fazendo gravações e reproduções em fitas K7 das músicas que faziam sucesso em discos ou pelas bandas musicais, que ele gravava ao vivo nas festas que acontecidas na cidade. Com o aparecimento das antenas parabólicas tronou-se um especialista na montagem daqueles equipamentos, montando este equipamento nas residências de vários municípios da região. No entanto, ao tomar intimidade com uma câmera fotográfica, sentiu que levava jeito para retratar profissionalmente todos os objetivos para onde direcionasse a objetiva. Neste mesmo período, nos anos de 1990, surgiram no mercado as famosas câmeras videocassete. Desta época em diante, muda de fotógrafo para cinegrafista, fazendo cursos por correspondência para melhor manusear aquele equipamento. Ao adquirir os equipamentos, passou a viver exclusivamente desta arte. Mas, além das filmagens que fazia por encomendas, (casamentos, aniversários, batizados etc.) Cícero passou a filmar para arquivo pessoal e hoje históricos, o Assaré com suas riquezas. No seu arquivo pessoal guarda imagens das festas populares na cidade e na zona rural, competições esportivas, vaquejadas, artistas populares no meio da feira, momentos religiosos e tantas outras manifestações do povo. Querendo um canal para veicular o seu trabalho, fundou com João Varjota a TV Assaré Online. Desfeita a socieda, criou a TV Quixabeira do Assaré, um meio de comunicação que coleciona uma larga audiência, diante da sua legião de ouvintes. Cuidadoso com a sua profissão, Cícero Ferreira adquire constantemente novos equipamentos de filmagem a edição para dá maior qualidade ao seu trabalho. Suas câmeras são todas profissionais. Membro de uma família musical, Cícero é músico profissional. Toca trombone e por muitos anos fez parte da Banda Manuel de Benta de Assaré.

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