Especialistas alertam para riscos de eventos e festas em cenário de coinfecção por covid e gripe

 Com influenza e coronavírus circulando no Ceará, sob risco de coinfecção, população deve reforçar medidas sanitárias

Escrito por Theyse Vianatheyse.viana@svm.com.br

Legenda: Uso de máscaras PFF-2, N95 ou cirúrgicas – e não as de pano – é uma das medidas mais importantes no atual contexto no Ceará
Foto: Shutterstock

Mais um ano tem início com a mesma preocupação e meta para o cearense: não adoecer. Com casos de influenza e Covid se multiplicando, inclusive com coinfecção pelos dois vírus; especialistas alertam para o óbvio, pelo 3º ano seguido: é preciso triplicar as medidas sanitárias. Não é hora de relaxar.

O Ceará soma, hoje, mais de 957 mil casos de Covid, quase 4.300 deles confirmados entre 1º de dezembro e esse domingo (2). De influenza A, até o último dia 29, eram pelo menos 278 casos, 69 deles por H3N2.

Em dezembro, duas crianças e um homem de 52 anos foram diagnosticados com os dois vírus ao mesmo tempo, em Fortaleza, de acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

Magda Almeida, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará (UFC) e ex-secretária de Vigilância da Sesa, explica que Covid e gripe atacam o organismo em diferentes frentes, e que, por isso, é preciso atenção aos casos.

“Não temos visto gravidade nos confirmados, mas se junta influenza, que é uma doença basicamente respiratória, com a Covid, que tem um espectro inflamatório mais geral, isso pode agravar o quadro. É uma suposição, temos que acompanhar”, salienta.

A especialista reforça que, ao contrário da Covid-19, contra a qual ainda não existe medicamento eficaz; para a influenza existe o antiviral Tamiflu, indicado para os pacientes de grupo de risco. O melhor remédio, porém, com o perdão do clichê, é a prevenção.

Nesse momento, é complicado falar em restrições das atividades econômicas. Já aprendemos o que transmite mais, temos é que evitar eventos super disseminadores, grandes aglomerações. Usar máscara e testar as pessoas com sintomas.
MAGDA ALMEIDA
Médica e professora da UFC

A epidemiologista Lígia Kerr, também professora de Medicina da UFC, pontua que a vacina da Covid “ainda está protegendo contra formas graves” da doença, mas que o período de chuvas no Ceará torna o cenário epidemiológico mais vulnerável a síndromes gripais.

“Quando há chuva, as pessoas ficam mais no mesmo ambiente, há uma tendência à aglomeração, o que facilita a transmissão. Além disso, quando participamos de festa de fim de ano, shows, da folia de Carnaval, convidamos o vírus a entrar”, alerta.

Lígia frisa que, “embora a Ômicron seja aparentemente mais leve”, a alta taxa de transmissão facilita o surgimento de novas variantes. Para evitar que o caos se prolongue, ela recomenda que as pessoas “acordem” para a gravidade do cenário.

Parece que as pessoas estão achando que a pandemia acabou: ela não acabou. E se quisermos acabar com ela, temos que impedir o vírus de se replicar. Para isso, não pode ter aglomeração. Tem que usar máscara e tomar vacina.
LÍGIA KERR
Médica e epidemiologista

Assim como Magda, Lígia avalia que “precisa haver uma intervenção do Governo do Estado para reduzir os eventos sociais”. “Não podemos deixar de trabalhar, estudar, mas podemos deixar de ir pra festas. Porque já está certo que vamos ter nossa grande 3ª onda”, projeta.

Cuidados com crianças

Quando o assunto é influenza, um dos grupos de risco, além de idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, são as crianças. Num contexto em que influenza A H3N2 e coronavírus coexistem, o risco é dobrado, como alerta a pediatra Vanuza Chagas.

“As crianças, que já são pacientes de risco para complicar, terminam sendo mais vulneráveis a ambas as infecções, pelo tipo de transmissão. E ainda há a baixa cobertura vacinal contra influenza, o que agrava a situação”, lamenta.

76%
do público-alvo da imunização contra influenza, apenas, se protegeram em 2021. Foi a menor cobertura dos últimos 23 anos, segundo a Sesa.

Vanuza destaca, diante deste início de ano delicado na área da saúde, a importância da liberação da vacinação contra Covid para crianças. As primeiras doses devem chegar na 2ª quinzena de janeiro, segundo o Ministério da Saúde.

Além da imunização, que é “o primeiro e mais fundamental passo”, outras medidas sanitárias são fundamentais para proteger os pequenos, e devem ser reforçadas, sobretudo na volta às aulas, como ressalta Vanuza.

  • Uso de máscara em maiores de 3 anos de idade;
  • Distanciamento físico;
  • Isolamento de doentes “ao menor sintoma gripal”;
  • Manter alimentação saudável e ingestão de muita água;
  • Exercitar-se e brincar ao ar livre;
  • Garantir boas noites de sono;
  • Trabalhar o bem-estar emocional infantil.

Vacinação
Legenda: Ministério da Saúde divulgou nota técnica afirmando ser favorável à vacinação de crianças contra à Covid
Foto: Andrej Ivanov/AFP

A pediatra aponta que sobretudo estas quatro últimas recomendações são importantes para fortalecer o sistema imunológico nesse período. “A influenza pode levar à síndrome respiratória aguda grave nas crianças, inclusive a óbitos. É preciso preservá-las”, frisa.

Quanto aos adultos, Vanuza reconhece que “até pelo esgotamento físico e emocional, depois de tanto tempo cumprindo protocolos, as pessoas foram relaxando, mas têm que voltar a ser muito firmes nas medidas sanitárias”.

Médicos recomendam mais rigor nas medidas

Na última quinta-feira (30), o Coletivo Rebento – Médicos e Médicas em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS publicou texto recomendando uma série de providências a serem adotadas pela população e pelo poder público diante da epidemia gripal no Ceará. 

Os médicos alertam, no documento, para o perigo da falsa ideia de tranquilidade conferida pela “não gravidade” dos casos de Covid pela variante Ômicron.

Uma doença mais transmissível costuma causar mais estragos que o contrário. Dentro de uma quantidade gigantesca de casos, uma menor proporção de complicações ainda será um grande dano, com possibilidade de o sistema de assistência à saúde não suportar a demanda.
COLETIVO REBENTO

Entre as recomendações para conter “a epidemia dentro de uma pandemia”, o coletivo cita o uso de máscaras, higienização das mãos e reforço da etiqueta respiratória – mas foca, principalmente, no alerta sobre aglomerações. Veja lista de orientações.

  • Modificar urgentemente a comunicação sobre o atual momento quanto à saúde pública, com um alerta muito maior pelas autoridades sanitárias de que é preciso reforçar as medidas de prevenção e cuidado. A proteção vacinal será bastante limitada diante da Ômicron, especialmente para vacinados há mais de 5 ou 6 meses;
  • Rever as atuais medidas e autorizações quanto a atividades presenciais. Não é razoável focar exclusivamente no passaporte vacinal. É preciso divulgar a necessidade do uso de máscaras de qualidade (N95/PFF-2), de evitar aglomerações e lugares fechados. Não é o melhor momento para festas e viagens. Não é seguro permitir eventos com até 5 mil pessoas; 

A velocidade de uma epidemia de influenza é, em geral, maior que a de Covid. Porém, há dados recentes que sugerem que a variante Ômicron é tão aguda quanto a influenza.
COLETIVO REBENTO

  • Intensificar os cuidados com quem trabalha diretamente nos serviços presenciais, que se expõem a riscos aumentados. E são, na maioria das vezes, pessoas com dificuldade de acesso à assistência de saúde.
  • Garantir que grupos de risco sejam devidamente alertados e tenham acesso à assistência. Diferentemente da Covid-19, existe tratamento para a Influenza, que diminui o número de desfechos como hospitalização, complicações e óbitos.
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