Pesquisa Cearense ganha prêmio internacional em apoio à pesquisa sobre Covid-19 e habitação

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Cearense ganha prêmio internacional em apoio à pesquisa sobre Covid-19 e habitação

Sharon teve a pesquisa indicada ao International Development Research Center (IDRC) ainda em outubro de 2020 (Arquivo pessoal)
Em 13/01/2021 às 11:27
Com a pesquisa de projeto de doutorado sobre Covid-19 e moradia, a geógrafa cearense Sharon Dias foi premiada pela International Development Research Center (IDRC), no último dia 5. Sharon é doutoranda pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, em cotutela com a University of Victoria, no Canadá, onde mora atualmente. A pesquisa foi recomendada ao prêmio ainda em outubro de 2020 e deve colaborar na continuidade do projeto, a partir deste ano, com a coleta de dados.

A pesquisa, intitulada “Insegurança à moradia e direitos à moradia de minorias em tempos de financeirização e Covid-19: Lições de comunidades pobres do Nordeste do Brasil”, é um projeto comunitário participativo para avaliar as condições de moradia, acesso à informação, participação de mulheres e comunidades em vulnerabilidade habitacional durante a pandemia.

“A pesquisa também busca compreender como se formam as redes de solidariedade entre comunidades em situação de precariedade habitacional que visam mitigar a constante ausência de política pública, situações de violência e inadequação de moradia nesses tempos difíceis de financeirização da habitação e Covid-19”, explica Sharon.

Em andamento desde 2018, o projeto não abordava a crise sanitária causada pela Covid-19. “Com a pandemia, no ano passado, eu reformulei todo o projeto para incluir a análise do cotidiano das famílias na pandemia em situação de precariedade”, diz Sharon.

Por fim, segundo a geógrafa, o foco da pesquisa também é promover mais “governança inclusiva”. “A partir dos conhecimentos promovidos por comunidades, o conhecimento cotidiano de famílias que estão tendo soluções muito criativas para driblar todos os percalços de estar em situação de moradia precária em tempos de pandemia”, complementa.

Ceará

Neste mês, a geógrafa conta que está fazendo articulações comunitárias, entrando em contato com pesquisadores do Ceará, pessoas envolvidas na questão habitacional, tanto em Organizações Não Governamentais (ONGs) quanto governamentais, além de selecionar bolsistas de iniciação científica para trabalhar no projeto.

“O prêmio é voltado para a coleta de dados e à disseminação da pesquisa científica. Todo o valor será aplicado na pesquisa para a contratação do time de coleta de dados, aquisição de softwares, materiais e equipamentos necessários, além do financiamento da publicação de resultados científicos no formato acessível ao público, como cartilhas e livros”, relata Sharon.

Entre as instituições cearenses envolvidas na pesquisa premiada estão o Programa de Pós Graduação em Geografia, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), através do Laboratório de Estudos Agrários, Urbanos e Populacionais (LEAUP); o Laboratório de Estudos do Território e da Urbanização (LETUR).

“Ambos os laboratórios estão apoiando a pesquisa no sentido de promover articulações com outros pesquisadores, colocá-los em contato comigo para promover um intercâmbio acadêmico de ideias. Tenho conhecimento da realidade urbana e habitacional de Fortaleza e da Região Metropolitana, mas o conhecimento científico não se constrói só, precisamos das trocas”, comenta a geógrafa, acrescentando que outros profissionais cearenses também estão entrando em contato para conversar sobre o projeto.

Conforme Sharon, o Projeto Ser Ponte, organização que tem promovido a distribuição de renda às comunidades da Capital cearense, durante a pandemia, também está envolvido na pesquisa. “Essa parceria, muito importante, também nos ajuda no processo de diálogo com comunidades e de conhecer a fundo a realidade das famílias, principalmente de mulheres que têm feito a diferença”. A pesquisa também é apoiada pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca Ceará).

“Esse prêmio só foi possível devido às parcerias e articulações comunitárias que eu tenho no Ceará. O projeto, na minha visão, se tornou mais forte para receber o prêmio após o apoio dos professores, laboratórios, comunidades, pesquisadores e organizações”, finaliza Sharon.

Fonte: Diário do Nordeste
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