Escola pública de Cascavel Estudantes cearenses desenvolvem tratamento para queimadura com folha de goiabeira

    A professora (mais à esquerda) e a equipe-base do projeto (Foto: Reprodução/Heloina Capistrano/Arquivo pessoal)

Em 05/09/2019 às 11:10
Grupo de alunos da Escola de Tempo Integral Marconi Coelho Reis, em Cascavel (Região Metropolitana de Fortaleza), é finalista em prêmio nacional de soluções inovadoras. Os estudantes do 3º ano do ensino médio desenvolveram, após um ano de pesquisas, um filme biodegradável para lesões cutâneas e queimaduras. O produto é feito a partir da folha da goiabeira (Psidium guajava).

O prêmio Respostas para o Amanhã (Solve for Tomorrow), da Samsung, escolheu dez projetos finalistas. Outro projeto de Cascavel chegou a esta fase do prêmio. São os alunos da Escola de Ensino Médio Ronaldo Caminha Barbosa, com o projeto "Agri+: Combatendo a escassez de água e melhorando a agricultura com polímeros sustentáveis". Cada uma das escolas já ganhou uma TV Samsung 55” e um notebook.

Agora as escolas produzem vídeos para defender seus projetos. A próxima etapa será em 30 de setembro, quando os três vencedores nacionais serão anunciados. A equipe mais bem classificada será convidada a apresentar o projeto na etapa regional, em São Paulo.

Entre 23 a 29 de setembro, as escolas cearenses vão precisar de votos online para superar as concorrentes e conseguirem estar entre as três mais votadas na categoria júri popular.

Goiabeiras em abundância

A turma inteira do 3º ano D da escola Marconi Coelho Reis é participante do projeto, mas sete alunos são titulares do experimento de sucesso. Substituto dos filmes plásticos, prejudiciais ao meio-ambiente, o filme de Psidium guajava, tem ainda propriedades anti-inflamatórias e antimicrobianas para tratar queimaduras e lesões cutâneas.

A professora de biologia Heloína Capistrano é a orientadora do filme biodegradável baseado na folha da goiabeira, árvore muito comum no município. Ela, que leciona as disciplinas opcionais (eletivas) Iniciação Científica e Práticas de Laboratório, se diz satisfeita com os resultados.

"Fiquei grata por elevar e colaborar com eles na pesquisa, na leitura, no interesse pela Ciência, tirando esses alunos da ociosidade. Eles são apaixonados pelo laboratório, passaram várias horas do último ano estudando a matéria-prima. Após testes, erros e acertos, foi criada a película perfeita”, conta Heloína.

Lígya Nogueira, de 19 anos, faz parte da equipe que elaborou o projeto do biofilme. “Usamos amido, glicerol e água na composição e tiramos da folha da goiabeira uma substância parecida com farinha. O amido e o glicerol são plastificantes. Então, peneiramos e maceramos”, esclarece.

Conforme a jovem, os testes realizados indicaram a cicatrização mais rápida de uma queimadura de primeiro grau, ficando na pele por 7 dias. Por se tratar de um composto biodegradável, a decomposição na natureza também se realizou de forma acelerada e sem agredir o meio ambiente.

O Projeto Biofilme faz parte da metodologia de disciplinas eletivas ofertadas nas escolas de tempo integral da rede pública estadual cearense, que promove em seu escopo a iniciação científica nas unidades de ensino. A iniciativa pode ser acompanhada pelo Instagram e pelo YouTube.

A promessa agora é viabilizar o produto em massa, a baixo custo. “É um filme eficaz, econômico, e sustentável”, completa a professora. O produto também é candidato em outras competições científicas.

Combatendo a escassez de água

Fabiana Ramos, de 18 anos, cursa a 3ª série do ensino médio na Escola Ronaldo Caminha. De acordo com a jovem, integrante da equipe que desenvolve o Projeto Agri+, a iniciativa surgiu pela constatação de que as hortas plantadas na região não se desenvolviam adequadamente, pelo fato de o solo ser salino e seco.

“Utilizamos um composto feito com cascas de manga, de abacate e bagaço de cana-de-açúcar, gerando um produto que consegue reter água no solo. Ficamos muito felizes com o resultado. Realizando testes, conseguimos passar 21 dias sem precisar irrigar a terra que recebeu esse tratamento, num cultivo de cebolinha. Por ser um polímero biodegradável e de baixo custo, pode ser uma boa solução para outras regiões que também sofrem com a escassez de água, já que os polímeros industrializados são caros e podem trazer consequências nocivas à natureza e aos consumidores”, explica Fabiana. Acompanhe o projeto Agri+ no Instagram e no Youtube.

O prêmio

Agora, serão avaliadas a relevância dos projetos, inovação, rigor científico e viabilidade de execução, dentre outros critérios. Na comissão julgadora estão representantes do Cenpec Educação, Ministério da Educação, Rede Latino-americana pela Educação, Unesco, Organização dos Estados Iberoamericanos (OEI) e Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

"Mais de um terço dos projetos selecionados à primeira fase foram do Nordeste", pontua Isabel Costa, gerente de Cidadania Corporativa da Samsung Brasil.

Ela detalha que o prêmio incentiva jovens a pensarem soluções para suas comunidades, envolvendo engenharia, matemática, tecnologia e ciências naturais. "Tem ainda a ótica de sustentabilidade, com abordagem que incentiva a ciência, o aprofundamento nos estudos. São temas ligados às disciplinas, ao currículo escolar. Os professores desenvolvem essa metodologia junto aos alunos, interagindo com a sociedade", comemora Isabel.

A iniciativa, que está na sexta edição, já teve 18 mil projetos e 153 mil estudantes inscritos. A proposta é reconhecer projetos de investigação e experimentação científica e tecnológica por estudantes do ensino médio público, com a orientação de seus professores, para propor soluções a problemas de suas comunidades.

Para o prêmio, a Samsung, multinacional de origem sul-coreana, mantém parceria com o Cenpec Educação, organização da sociedade civil sem fins lucrativos voltada à melhoria da qualidade da educação pública.

“Temos finalistas de todas as regiões do Brasil. Isso reforça a diversidade e a preocupação de cada um com o seu território. São projetos que ajudam a solucionar questões de cada comunidade. É a preocupação com quem está a sua volta”, diz Mônica Gardelli Franco, diretora-executiva do Cenpec Educação.

Fonte: O Povo


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