Beleza perdida Casarões históricos dão lugar a estacionamentos, em Juazeiro do Norte


A cada ano Juazeiro do Norte perde um pouco mais de sua história. Casas e imóveis construídos entre os anos 1940 e 1950 estão sendo demolidas para a abertura de estacionamentos e outros empreendimentos comerciais no centro desta cidade. Aqueles que ainda não foram demolidos, estão postos à venda ou abandonados.

Em um ano, pelo menos três significativas edificações foram postas abaixo e hoje abrigam estacionamentos privativos. Proveito econômico, especulação imobiliária e descaso com patrimônio arquitetônico são alguns dos motivos que levam familiares a se desfazerem dos imóveis.

Quem vem chamando a atenção para este debate é o projeto Cariri das Antigas, criado pelo estudante de História, Roberto dos Santos Júnior, que defende a manutenção destas construções que revelam detalhes da história da cidade.

“São conjuntos arquitetônicos de grande interesse. Imóveis que valeriam a pena preservar, mas que infelizmente já vieram abaixo”, lamenta. “A partir da arquitetura de uma casa como essas eu consigo traçar o contexto socioeconômico, resgate da memória coletiva e afetiva, impactos culturais e outras infinidades de coisas que um simples detalhe de fachada nos diz”, explica.


Antiga casa de Moisés Olegário de Jesus, demolido este ano, deu lugar a um estacionamento (Foto: Coelho Neto/Cariri das Antigas)

A demolição do bangalô da família Teixeira Lima, na rua da Conceição, foi uma das que mais chamaram a atenção de Roberto. Assim como o casarão do ex-prefeito e médico pessoal do Padre Cícero, Mozart Cardoso de Alencar, na rua Alencar Peixoto, e o bangalô de Moisés Olegário de Jesus, na rua São Francisco. Hoje, todos são estacionamentos privativos.

Nem mesmo a antiga loja de Joaquim dos Santos Rodrigues, o Seu Lunga, na rua Santa Luzia sobreviveu às imposições econômicas. À época da venda e demolição, em 2015, um debate foi lançado nas redes sociais e vários usuários pediram que o local se transformasse em um museu da memória deste personagem juazeirense.

Para Roberto, falta interesse político em pautar o patrimônio histórico e arquitetônico junto à população. Juazeiro do Norte possui rígidas restrições para tombamento e poucos imóveis foram tombados. Já Barbalha possui algum tipo de lei municipal de proteção às edificações antigas em seu Centro Histórico, mas ainda assim os moradores destes casarões possuem dificuldades financeiras para sua manutenção.


Em Barbalha, arquitetura e memória são admiradas no Centro Histórico (Foto: Roberto Junior/Cariri das Antigas)


Por Alana Maria/ Agência Miséria
Miséria.com.br
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